domingo, 28 de novembro de 2010

A INVEJA

Hoje vou falar um pouquinho sobre a INVEJA. Todos nós sentimos naturalmente inveja (o que nos consola profundamente), seja duma forma mais ou menos positiva. Mas quantas vezes na nossa vida somos vítimas da inveja desenfreada de pessoas com quem somos obrigados a conviver?
Muitos invejosos negam a sua patologia e, assim afundarão na mediocridade e poucos conseguirão construir para si mesmo. O tratamento psicoterápico pode ser de grande valia para os invejosos.
Quando a inveja se reflete na sua estrutura-mãe, o invejoso toma consciência deste sentimento e passa a aprender a lidar com a inveja inserida em seu comportamento.
                  O mecanismo responsável pelos ressentimentos do invejoso é a comparação, que normalmente atinge pessoas com baixa-estima que ao se compararem aos outros, exacerbam o seu comportamento invejoso.
Autores de formação psicanalítica consideram a inveja como um sentimento complexo, e não como um impulso ou um derivativo dos instintos e isso ocorre num estágio em que a diferenciação entre o self (eu) e o objeto ainda é muito sutil, levando a sensações que os autores denominam  de "precursores da inveja", considerando a inveja propriamente dita um sentimento universal, cuja intensidade depende das interações sujeito-objeto, e que ocorrem durante o processo de diferenciação.
Tal desequilíbrio entre o nosso eu e o dos outros é decorrente, de processo comparativo, que desde cedo a pessoa passa a viver.  A constante comparação, não assimilada pelos mecanismos de defesa, gera a tendência do indivíduo  desconsiderar que é possuidor do sentimento de inveja, porque este comportamento não aparece tão claro assim.
As pessoas invejosas geralmente são ansiosas e portadoras da tristeza, com alto índice de ira e revolta típica da depressão. Tais emoções se caracterizam por experiências afetivas traumatizantes, como é o caso de crianças que sofreram perdas na  infância, ou situações desagradáveis e negativas que repercutem no seu componente psico-físico. Estas reações embora vivenciadas por todos os seres humanos em inúmeras situações, são desvinculadas da cultura e posição social e econômica em que vivem e o desajustamento pode ser em razão de transtorno de saúde mental (angústia, ansiedade, depressão, etc.) ou física. Tais transtornos atingem níveis intensos provocando a eliminação de hábitos saudáveis tais como exercícios físicos, lazer etc. Passam em conseqüência ao consumo de álcool, drogas ilícitas ou não como calmantes etc. podendo desencadear pelo uso constante  o estágio das práticas de “drogadição”.
Hoje há dados suficientes para afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde mental, enquanto as emoções negativas, como a inveja, tendem a diminuí-la.
O invejoso é normalmente inseguro, supersensível, irritadiço, desconfiado, observador minucioso e investigador da vida alheia; sempre armado e alerta contra tudo e contra todos, finge superioridade quando, na realidade sente-se inferiorizado. O comportamento descrito o leva a exaustão, porque necessita ocultar o seu precário estado de harmonia interior.
               Trago aqui alguns tipos de inveja: a Compulsiva, verdadeira, lamentação, mascarada, piedosa, melancólica, maledicente, competitiva, odiosa, insesata, passiva, medíocre, orgulhosa, vaidosa e neurótica.
Pois bem, o fato é que a inveja existe e está presente em todas as esferas do relacionamento humano, manifestando-se em todas as vertentes do nosso quotidiano. Entre amigos, colegas ou até familiares, são frequentes as invejas motivadas por comparações desfavoráveis do status de uma pessoa em relação à outra. Aliada ao ciúme, à mágoa, à falta de auto-estima ou à falta de iniciativa em conseguir obter o que os vitoriosos obtêm, a inveja pode, contudo, ser positiva: quando tomamos alguém bem sucedido como referência para atingirmos o que ele conseguiu atingir, rumo ao sucesso. Neste caso, é necessária uma auto-estima que te torne confiante nas tuas capacidades. Por outro lado, o invejoso, sendo uma pessoa frágil, rende-se à sua própria insignificância. A crítica é um exemplo, sendo das máscaras da inveja a mais sutil e, ao mesmo tempo, a mais evidente. Isto porque, sempre que caluniamos alguém (ou o criticamos destrutivamente) será porque nos sentimos inferiores a essa pessoa. Daí essa necessidade em falar mal da pessoa que tanto invejamos.
Cada um tem as suas potencialidades e peculiaridades que me podem tornar vitorioso. Como tal, é na auto-comparação que eu reconheço as minhas próprias capacidades. É esta procura de mim mesmo que permite a valorização pessoal.
 Normalmente o invejoso não se ama, vai se auto destruindo quer fisicamente pelas psicossomatizações e psicologicamente destruindo a sua auto-aceitação, ponto de apoio de todo o sucesso pessoal.
Assim, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a auto-estima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa.


FONTES:
KLEIN, M. Psicanálise da Criança. São Paulo, Ed. Mestre Jou , 1969.
________ Inveja e Gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, Imago ,
LAPLANCHE, J. et alli Diccionario de Psicoanalisis. Buenos Aires, Editorial Labor, 1971.
__________________ Teoria da sedução generalizada. Porto Alegre, Artes Médicas, 1988.
__________________ Vocabulário da psicanálise. São Paulo, Martins Fontes, 1992. http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/inveja/inveja.html