sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SUICÍDIO: CONHEÇA PARA PREVENIR





PREVENIR UMA TAREFA POSSÍVEL!



1- Geralmente o que leva uma pessoa a cometer suicídio?

Tanto o suicídio quanto a ideação suicida não possuem etiologia específica, suas razões não são pontuais, as causas incluem um extenso escopo é um comportamento com determinantes multifatorial e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos, biológicos, culturais e socioambientais, como vemos está cercado por uma teia de complexidades e muitas vezes é o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo.

2- Quais doenças estão associadas ao pensamento suicida?

O suicídio em si não é uma doença, nem essencialmente a manifestação de uma doença, no entanto transtornos mentais constituem-se em um importante fator associado com o suicídio. Pesquisas revelam que em mais de 90% dos casos de suicídio se enquadra num diagnóstico de transtorno mental, destarte, o suicídio comumente é o epílogo trágico de doenças psiquiátricas como os transtornos afetivos ou do humor (ex. mania e depressão). Cerca de 35,8% de pessoas com transtorno de humor como a depressão morrem por suicídio. O abuso de álcool e drogas também está associado à maior risco de suicídio.

Existem, também, causas imediatas predisponentes como fracasso amoroso, perda do emprego, falência financeira ou morte de um ente querido que agem como o último empurrão para o suicídio. Portanto, sempre há muitos fatores que se combinam e que ocasionam o suicídio. Nunca é apenas um motivo.

3- Qual a dimensão do problema?

O comportamento suicida é na atualidade um dos maiores problemas da Saúde Pública mundial e ganha impulso a cada ano, observando alguns dados da Organização Mundial de Saúde podemos compreender a dimensão do problema:
- Anualmente cerca de um milhão de pessoas por ano, cometem suicídio em todo mundo;
- A cada 40 segundos uma pessoa consuma o suicídio e de um suicídio consumado há uma estimativa de 10 tentativas
- Estimativas apontam que no ano de 2020 esse número poderá chegar em torno de 1,5 milhão;
As estatísticas tristes e alarmantes são um sinal claro de que esse é um problema de saúde pública. O impacto psicológico e social do suicídio em uma família e na sociedade é imensurável. Em média, um único suicídio afeta pelo menos outras seis pessoas.

4- Há como evitar?

Sim, estudos mostram que 90% dos suicídios poderiam ser evitados por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticável e tratável, principalmente a depressão, ou seja, de cada dez casos de autoextermínio, nove podem ser evitados onde houver o diagnóstico preciso dessas patologias, o devido tratamento e a assistência das redes de cuidado e atenção. 
Outro caminho é prestar atenção aos sinais e a não minimizar a situação quando as pessoas falam principalmente frases como: não agüento mais essa vida, tenho vontade de sumir, quero acabar com meus problemas e sofrimento, tudo isso deve ser levado em consideração. Se a pessoa fala, ela pode fazer. A família pode até pensar que é uma forma de chantagem, mas quem deve avaliar isso são os profissionais.

No núcleo familiar e comunitário, a melhor prevenção é falar sem receio sobre suicídio e saber identificar os pedidos de socorro das pessoas próximas. Nenhuma pessoa precisa dar uma solução para os problemas do outro, deve apenas aprender a ouvir. As pessoas encontram as soluções dentro de si quando falam e refletem sobre seus conflitos e emoções.

Pessoas que apresentam um comportamento suicida carecem de acompanhamento psicológico e psiquiátrico concomitante, não hesite em buscar ajuda!

5- A família/ amigos devem ficar atentos a quais sintomas que indicam que uma pessoa está pensando em se suicidar?

A maioria dos suicidas dá sinais claros de que vai se matar. Alguns dos sinais são:
- Afastamento ou isolamento social;
- Insônia persistente, angústia permanente ou ansiedade;
- Apatia, letargia, falta de apetite;
- Dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo;
- Automutilação.
- Começar a colocar a vida em risco, como abusar de álcool e drogas, dirigir de forma irresponsável, brincar com armas de fogos perigosas
 - Falar muito acerca da morte, suicídio ou de que não há razões para viver, utilizando frases do tipo: Eu preferia estar morto, Eu não agüento mais, Os outros vão ser mais felizes sem mim, Eu sou um peso para os outros, qualquer frase nesta linha é um forte indicativo de risco de suicídio.

Detectar os sinais de alerta e intervir de forma eficaz é uma tarefa importante que poderá salvar vidas. Para ajudar pessoas com esses sinais, você deve se certificar de que elas não sejam deixadas sozinhas, remover quaisquer objetos perigosos ou drogas que poderiam ser usados em uma tentativa de suicídio e procurar ajuda médica imediata.


6- Porque o suicídio? As pessoas veem ele como uma saída?

A “dor emocional” que muitas pessoas sentem diante de um “vazio existencial”, é algo inexplicável, Ninguém escolhe suicidar-se. Ele ocorre quando a dor que sentimos é maior que os recursos para enfrentá-los. A sua intenção é parar a sua imensurável dor psicológica e não pôr término à sua vida. O suicida na verdade não quer se matar, mas quer matar a sua dor, cada pessoa tem os seus próprios motivos, muito particulares, profundos e extremamente dolorosos que a levam a ponderar desistir de viver. Porém se faz necessário salientar que o comportamento suicida não é apenas uma resposta a um estresse extremo. O suicídio na maioria das vezes é o desfecho trágico de doenças psiquiátricas como (depressão, bipolaridade, esquizofrenia, etc), estas contribuem significativamente para um estado de maior desorganização e desconforto emocional.

7- Quais fatores aumentam o risco de uma pessoa cometer tal ato?

O principal fator de risco de suicídio é presença de transtorno psiquiátrico, incluindo-se abuso de substâncias. Porém existem outros fatores de alto risco de suicídio que são: História familiar de suicídio, mudanças de condições de saúde ou estado físico, Sentimento de desesperança, desemprego ou dificuldades econômicas, problemas no trabalho, morte do cônjuge ou de amigos íntimos, família atual desagregada por separação, divórcio ou viuvez, ter sido alvo de abuso sexual ou psicológico, experiência de humilhação social recente, etc.

8- Suicídio é um ato planejado ou impulsivo?

O suicídio raramente é uma decisão súbita, inesperada, na maior parte dos casos o suicídio é algo planejado, a pessoa arquiteta um plano, decide um método, antes de tomar uma decisão definitiva, entretanto a impulsividade é uma característica da personalidade que interfere na tomada de decisão e leva o indivíduo a se autodestruir.

9- Como intervir?

Nessa hora, ter alguém para ouvi-la pode fazer toda a diferença!
Falar e uma das principais maneiras de prevenir o suicídio. O suicídio é um ato de linguagem, de comunicação, sendo o suicídio um ato, e o ato, por significado, aquilo que supre um dizer, deste modo, se falar não atuo. Destarte, se oferecemos ao sujeito um lugar onde possa falar muito freqüentemente ele não precisara mais atuar. Portanto, procure ouvir atentamente, tente compreender os sentimentos dessa pessoa sem críticas, converse abertamente, demonstre sua preocupação, seu cuidado e sua afeição para com ela, procure conversa com a família, amigos ou rede de apoio dessa pessoa, caso a pessoa tenha acesso a métodos suicidas, como armas e remédios, remova-os imediatamente. Oriente e/ou auxilie a buscar ajuda na rede de saúde de sua comunidade.

10- Como lidar com a perda?

O suicídio desencadeia o luto mais difícil de ser enfrentado e resolvido de maneira eficaz em qualquer família, no entanto, a vivência da perda, o luto, difere de pessoa para pessoa. Não há uma maneira “normal” de lidar com essa perda, esse luto. Cada pessoa poderá experimentar emoções diferentes, não raras às vezes combinada numa espécie de tempestade avassaladora. Os estados emocionais podem variar entre a negação, a tristeza, a raiva, a confusão, o desespero e até a culpa.
Como as pessoas são diferentes, vivem seus sentimentos de forma diversa, e também elaboram o luto em tempos distintos e de maneira muito pessoal.
As marcas são profundas e não cicatrizam facilmente. Neste momento, é essencial que haja todo tipo de apoio, para superar o trauma. Essas pessoas, muitas vezes, têm dificuldade em sentir prazer de viver. Por conta disso, o acolhimento psicológico com técnicas capazes de reduzir os danos psíquicos é de grande valia. A finalidade não é eliminar a dor que já foi provocada, mas sim transformar o desespero em algo tolerável, evitar que vire doença. Fazer com que a pessoa veja que ainda existe futuro, perspectiva de vida mesmo após o fato.
11- O pensamento suicida é hereditário? Por exemplo, quando alguém se mata há a probabilidade maior do restante da família fazer o mesmo?

Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade, existem muitos outros fatores que interferem na tomada de decisão, não sendo a hereditariedade o fator mais determinante, porém uma história familiar de suicídio, é um fator de risco importante para o comportamento suicida.

12- Quais os maiores mitos acerca do problema?

Muitos estigmas, mitos e preconceitos envolvem a questão do suicídio, dentre eles podemos citar:

Mito - A pessoa que quer se suicidar não avisa.
Verdade – Suicidas freqüentemente dão ampla indicação de sua intenção, é fundamental estar atento ao que a pessoa diz.
Mito - Quem pensa em cometer suicídio, realmente quer se matar.
Verdade - A maioria das pessoas que pensam em se matar, na verdade, têm sentimentos ambivalentes. Elas desejam por um fim a um sofrimento.
Mito - falar sobre o suicídio com a pessoa que quer se matar, pode estar induzindo a isso.
Verdade -. Falar sobre o suicídio e as idéias que está tendo, ajuda a pessoa a se sentir acolhida por alguém que se interessa por seu sofrimento. Vale ressaltar que buscar ajuda profissional é importante após esse momento.
Mito - A pessoa que ameaça suicídio deseja manipular os outros.

Verdade - A ameaça de suicídio deve ser sempre lavada a sério. Isso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda, o que dirige a ação de suicidar-se é uma dor psíquica insuportável.


Psicóloga Joselaine Garcia
CRP/RS 18.433

Psicóloga Clínica
Especialista em Hipnose Condicionativa
Especialista em Hipnoterapia  cognitiva
Pós graduada  em Docência Universitária

Membro do Latin American Quality Institute

  Psicóloga laureada com diversos prêmios: Internacional, Nacional e Estadual 

CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA 
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CRUZ ALTA RS,