terça-feira, 26 de outubro de 2010

ADOLESCÊNCIA - DELINQUÊNCIA JUVENIL

adolescÊNCIA
Delinqüência Juvenil
conhecer e reconhecer!

É impraticável compreender o problema da delinqüência atual sem levar em conta fatores sociais, o ambiente familiar e organização própria da responsabilidade do sujeito, bem como seu momento evolutivo.
Vários fatores estão contribuindo para o incremento da delinqüência juvenil, como a crises do consumo e a escassez de bens materiais, a inquietude social, a quebra do modelo tradicional de família, a inópia da ação educativa, a falta de limites, enfim, como já foi dito vários fatores contribuem para o desvio dos jovens à criminalidade.
Neste sentido, percebemos que existem diversos discursos; não há um conhecimento unânime a respeito da delinqüência juvenil.
Porém, a delinqüência juvenil é fato, sujeito e contexto, mas uma certeza há que ao falar em delinqüência estamos falando de desamparo do ser humano, das crianças, dos jovens, dos pais e da sociedade como um todo e, principalmente, da família.
Desamparo, típico da nossa modernidade cultural, onde a descrença generalizada nos valores tradicionais leva a uma intensa busca de prazer pessoal e do individualismo em detrimento dos ideais coletivos.
Não podemos buscar o isolamento individual com aparência de bem estar e independência, é necessário mudar-mos nossa percepção em relação ao nosso semelhante ao invés de julgá-lo ou buscar explicações de senso comum. “aquilo que se sabe quando ninguém nos interroga, mas que não se sabe mais quando devemos explicar, é algo sobre o que se deve refletir. (evidentemente algo sobre o que, por alguma razão dificilmente se reflete)”. (WITTGESTEIN, 1979. p.49).
O fenômeno da delinqüência juvenil suscita um redimensionamento completo do pensamento, que deve estender-se além das normas legais. Um procedimento tão intricado como a do ser humano não pode ser compreendida se não formos capazes de relativizar nossas próprias normas, se não soubermos nos colocar no lugar do outro e não nos aproximarmos de sua vida da maneira mais isenta possível de nossas parcialidades.
Penso que o despontar deste campo de estudo, que une a patologia mental à social, arquiteta a análise psicossocial da delinqüência Juvenil guiada para a leitura das realidades e ambientes, parafraseando Mafessoli é uma “colcha de retalhos”, ou seja, há um conjunto de elementos totalmente diversos que estabelecem entre si interações, assim sendo é preciso trabalhar em rede, pois rede também é uma forma de pensar, destarte em se tratando de delinqüência juvenil é imprescindível ter um olhar apurado, preparado para perceber o invisível, tentar abrir possibilidades de existência, vislumbrar uma articulação social, poder usar o mesmo espaço de outro jeito, ter uma nova percepção e a construção de sentidos, repensar conceitos, mudança de olhar/pensar, quebrar o que já esta cristalizado é mister produzir híbridos, cria algo novo, assim devemos pensar, conhecer e reconhecer a delinqüência, criando algo novo, percebendo-a como uma mistura de situações que engendram tal reação delinqüente. “O homem é ilusão, e quando perde a capacidade de sonhar, perde a sua essência (...) a violência passa a ser uma reação; a delinqüência, o comportamento que a expressa”. (Trindade, 2002).
“ao invés de tomar a palavra gostaria de ser envolvido por ela e levado bem além de todo começo possível(Foucault, 2001)