domingo, 12 de fevereiro de 2012

PSICOTERAPIA ALTERA ANATOMIA CEREBRAL



"Desabafar muda o cérebro"


Contar um trauma altera funções cerebrais, diz o psicoterapeuta. E ajuda a superar a dor
Por Suzane Frutuoso

Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Julio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro.
A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo, deve ser publicada em junho na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico). Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. "Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a 'rotulagem' da experiência", diz Peres. "Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa." Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.
Julio Peres
• O QUE ESTUDOU
Psicólogo clínico, especialista em Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Doutorando em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)

• O QUE ESCREVEU
Autor de diversos artigos científicos sobre traumas psicológicos, psicoterapia e superação, publicados em revistas como Psychological Medicine e International Journal of Psychology

ÉPOCA - Como foi realizado o estudo?
Julio Peres - Aplicamos questionários para estabelecer as modalidades sensoriais (o rosto do ladrão, o cheiro da gasolina, o barulho da freada do carro) que permaneceram na mente dos indivíduos. Antes da psicoterapia, essas sensações estavam exacerbadas. Depois dela, verificamos que o valor sensorial das memórias traumáticas diminuiu. O que aumentou foi o valor narrativo, junto com a atividade do córtex pré-frontal. É um achado importante. Significa que, à medida que a narração do evento aumenta, as respostas emocionais e as sensações são atenuadas.

ÉPOCA - Como o senhor teve a idéia do estudo?
Peres - Muitos profissionais da saúde não creditam o devido valor ao tratamento pela ausência de marcadores biológicos do efeito psicoterápico. Quis estudar a produção científica com o uso do método de neuroimagem funcional com a psicoterapia. No Brasil, é o primeiro estudo desse tipo. Fiz uma revisão de todos os estudos publicados no mundo. Qual foi minha surpresa? Existiam apenas 20 estudos sobre o assunto. E a neuroimagem já existe há 20 anos!

ÉPOCA - Dá para dizer que a psicoterapia muda o funcionamento cerebral?
Peres - Sim. A maneira como o cérebro processa as informações muda. Os psicólogos deveriam estudar seus pacientes com métodos neurofuncionais. No Brasil, ainda é difícil. Poucas pessoas têm conhecimento sobre o assunto.

ÉPOCA - Qual é o perfil dos pacientes estudados?
Peres - São pessoas que sofreram traumas, mas não preencheram todos os critérios do estresse pós-traumático. São pessoas que passaram por eventos como perda de entes queridos, acidentes, separação, abuso sexual, assalto, seqüestro. Eles representam 30% da população geral.

ÉPOCA - Quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro?
Peres - Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não verbalizam o evento, não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas. Medo, sensações dispersas, sem atribuição de um significado para o que aconteceu. Quando ela constrói esse significado, tem a possibilidade de reconstruir o momento trágico, trazendo um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor.
ÉPOCA - Relembrar a situação traumática não é pior?
Peres - É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher. Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava seqüestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação.

ÉPOCA - Em traumas semelhantes, as pessoas têm reações parecidas?
Peres - Os estudos mostram que em tragédias naturais avassaladoras, como tsunamis e terremotos, a resposta de cada envolvido é absolutamente diferente. Não existe uma resposta universal ao trauma. Temos estudado o que predispõe à recuperação. O que as pessoas que superam essas situações difíceis desenvolvem como qualidades? E por que aquelas que continuam traumatizadas não conseguem desenvolvê-las, pelo menos por algum tempo?

ÉPOCA - O que fazer para não ficar preso às lembranças de uma tragédia?
Peres - Criar novos objetivos. É ver o acontecimento como uma oportunidade para o aprendizado e o crescimento pessoal . Sentimentos positivos, como o altruísmo, ajudam a pessoa a melhorar rapidamente em vez de sucumbir ao trauma. É essencial não se sentir enfraquecido, incapaz perante o que viveu. E o trauma está muito ligado à incapacidade. Por exemplo, num acidente de carro, a pessoa pensa: "Eu não pude controlar o carro e fiquei preso nas ferragens". O trauma pode marcar o indivíduo nesse sentido. Ele se sente sem condições de superá-lo. Quem cria uma aliança positiva com aquele momento sai mais facilmente da dificuldade.

ÉPOCA - O que perpetua um trauma?
Peres - Em geral, os traumatizados têm a tendência de querer pagar na mesma moeda. Com pensamentos do tipo: "Mataram minha mulher e agora vou matar cada um desses caras". Quando existe o sentimento de vingança, a repetição do ciclo traumático não acaba. Não resolve o problema, e os traumas vão aumentando.
ÉPOCA - Que substâncias o cérebro libera quando a pessoa sofre um trauma?
Peres - O trauma pode se estabelecer de duas maneiras. Uma é a hiperestimulação, que envolve o sistema simpático, relacionado à adrenalina. O indivíduo fica em alerta, irritado, com insônia, pensamentos intrusivos. O outro lado é a dissociação , que envolve o sistema parassimpático e a endorfina. É também uma estratégia de adaptação, de sobrevivência ao evento. Um anestesiamento. Acontece especialmente com crianças que sofreram abuso sexual, porque geralmente o agressor está em casa. E diante disso ela não pode fugir. Ela dissocia, como se não estivesse acontecendo nada. Só que as conseqüências dessa dissociação são gravíssimas. Em geral, viram adultos que não conseguem estabelecer vínculos afetivos. Aquele processo de dissociação ficou tão enraizado, como uma defesa de sobrevivência, que também tende a continuar por um bom tempo.
ÉPOCA - Quanto tempo uma pessoa leva para superar um trauma?
Peres - Depende de cada pessoa, do processamento interno em relação ao ocorrido. No caso do estudo, fizemos oito sessões de terapia, com duração de uma hora e meia cada uma. E essas sessões foram suficientes para o grupo modificar as respostas emocionais. Eles ficaram mais equilibrados psicologicamente.
O que diz o estudo
Após oito sessões de psicoterapia, os pesquisadores observaram mudanças nas seguintes regiões do cérebro
Maior atividade no córtex pré-frontal
Ele está envolvido na classificação das experiências
Menor atividade na amígdala
Ela está relacionada à expressão do medo
Fonte - Época - edição. 471 de 28/05/07

INTERNET, O OÁSIS DOS TÍMIDOS

Esse texto trata-se de partes de um artigo escrito pela colega, Psicóloga, Mariuza Pregnolato, Matéria publicada no portal minha vida, março 2007: http://minhavida.uol.com.br, devido a beleza e a competência do conteúdo achei interessante compartilhar com vocês. O artigo pode ser visto na integra no portal acima ou no site da colega: www.mariuzapregnolato.com.br
As partes grifadas tratam-se de grifos meus, não da autora.



A timidez não é uma doença, mas pode transformar-se numa fonte de intenso sofrimento para aqueles que sentem-se incapazes de adquirir desenvoltura social. Antigamente, o principal refúgio dos tímidos era a leitura e a escrita.

Há algumas décadas, além da arte, uma nova possibilidade tornou-se acessível para esse público: a TV. Logo em seguida veio o videogame, uma forma de brincar que, como a TV, dispensava a companhia de outra pessoa.

E então surgiu, no final do século passado, a até então impensável maravilha das maravilhas: a internet.

Uma ferramenta que conjuga todas as alternativas anteriores e muito, muito mais. Com ela, até o mais anti-social dos indivíduos, além de ler, escrever, assistir e jogar, sozinho ou com amigos virtuais do mundo todo, pode também bater papo, estudar, trabalhar, comprar, vender, obter informações para resolver seus problemas do dia-a-dia, namorar e até fazer sexo virtual, sem se expor pessoalmente, quero dizer, sem se relacionar de verdade com ninguém!

Isso é bom ou ruim?

Por um lado é bom e pode até estimular um relacionamento pessoal. Para aqueles que têm dificuldade de iniciar uma abordagem cara a cara, começar a conhecer algumas pessoas mais devagarzinho através da net pode ser um bom início para, só depois, quando se sentirem mais seguros, partir para um contato real.

O problema é que muitas pessoas, agora que dispõem desse recurso tão vasto para preencher quase todas as necessidades de suas vidas, tendem a isolar-se ainda mais do contato social ao vivo. Isso porque quando não havia a internet, algumas atividades tinham que ser feitas pessoalmente, como ir ao supermercado, por exemplo. Despensa e geladeira vazias eram uma forma de pressão suficientemente forte para obrigar a pessoa a sair do isolamento e, pelo menos, ir às compras. Nem isso, agora, ela precisa fazer porque, com uns poucos clicks, o supermercado vai à sua porta.

Déficit de habilidades sociais, uma inabilidade em relacionar-se socialmente devido à excessiva ansiedade em relação ao próprio desempenho, que redunda em falta de assertividade verbal, dificuldade de iniciar e manter conversações, de expor sua opinião e defender seus interesses verbalmente de modo satisfatório, etc. É um quadro gerado, principalmente, por uma educação muito rígida e punitiva que, geralmente, produz isolamento, forte ansiedade, sentimento de solidão e estado depressivo.

O déficit de habilidades sociais tem tratamento e, na maioria dos casos, pode ser revertido em um espaço de tempo relativamente curto. A partir de um diagnóstico das necessidades do cliente, num primeiro momento ele é treinado para comportar-se socialmente de modo adequado, aprendendo a lidar com a angústia, a sensação de insegurança e a ansiedade que sempre acompanham essas situações. O objetivo desta fase da terapia é transformar o cliente numa pessoa sociável e capaz de ir em busca de seus objetivos, obtendo autoconfiança e elevando sua auto-estima. O passo seguinte – e que pode ocorrer simultaneamente ao treinamento – é levá-lo a conhecer-se melhor e adquirir autonomia, tornando-se capaz de valer-se de sua própria criatividade e recursos internos para enfrentar cada novo momento da vida.

Sem um tratamento adequado, essas pessoas perdem a oportunidade de descobrir que suas dificuldades são as mesmas de todo ser humano porque todos nós, no fundo, temos medo do sofrimento em nossos relacionamentos. E a possibilidade de compartilhar nossos talentos e defeitos é o que faz com que nos sintamos aceitos, acolhidos e amados, sendo do jeito que somos.

Habilidade para se relacionar é construída sobre o alicerce da autoconfiança. Uma amizade profunda é construída a partir da capacidade de confiar no próprio julgamento e de se expor ao outro. São qualidades que todos nós somos capazes de desenvolver, aprendendo a discernir e escolher em quem queremos apostar para abrir nossos corações.


Joselaine Garcia
Psicóloga – CRP 07/18433
Especialista em Docência Universitária

Você é a responsável pelos seus sofrimentos!
Procure um psicólogo(a) de sua confiança, faça uma consulta e decida pelas suas mudanças emocionais. Quando aprendemos a simplificar as coisas e ver seu verdadeiro valor, a vida se torna mais prazerosa, mais gostosa de ser vivida

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VISÃO DISTORCIDA DA FELICIDADE

Nunca espere pelo momento perfeito.
Quando tiver o momento, torne-o perfeito.

A busca da felicidade, sem ter consciência do que é realmente ser feliz, tendo uma visão distorcida de felicidade, acaba levando a relacionamentos precários.


Quando se tem uma visão distorcida da felicidade, se tem uma visão distorcida da vida e, por conseguinte das relações intrapessoais e interpessoais.

Sujeitos que vivenciam essa visão deturpada passam a vida inteira ou uma boa parte dela construindo relações insignificantes e superficiais abalizadas na insegurança, no medo de perder, no receio de estar sempre sendo boicotadas e sempre tentando se auto afirmar.

Normalmente pessoas carentes têm uma visão distorcida do amor. “Algumas teorias da psicologia ainda acreditam que pessoas carentes não conseguem, mesmo que inconscientemente, diferenciar amor, dor e sofrimento”.

Joselaine Garcia
Psicóloga – CRP 07/18433
Especialista em Docência Universitária

Você é a responsável pelos seus sofrimentos!
Procure um psicólogo(a) de sua confiança, faça uma consulta e decida pelas suas mudanças emocionais. Quando aprendemos a simplificar as coisas e ver seu verdadeiro valor, a vida se torna mais prazerosa, mais gostosa de ser vivida

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OS RELACIONAMENTOS AMOROSOS NA ATUALIDADE.

Vemos muitos casais de namorados ou até mesmo casados que vivem em um vai e vem, "namora-separa-volta", esse tipo de relação é característica dos dias atuais.

Na atualidade a precariedade, a fluidez dos vínculos são fatores que colaboram para esse tipo de comportamento. Pais sem “tempo” para os filhos, a falta de limites, a compensação do amor por objetos, enfim, a dinâmica familiar contribui muito para essa situação, pois é no seio da família que a pessoa vai definir seus padrões básicos de funcionamento, isso significa a sua forma específica e repetitiva de ser e de reagir em todas as situações; os mecanismos que usará para viver e sobreviver; suas escolhas ao compreender e se relacionar com as pessoas e situações.

Este padrão se constrói no entrelaçamento das relações familiares, das normas explícitas e das regras que são passadas de forma sutil, nos olhares, nos toques, nas palavras e atos. Paralelo ao padrão de funcionamento que vai construindo o indivíduo vai estruturando a sua auto-imagem.

Geralmente uma pessoa que cresceu em uma família disfuncional na qual suas necessidades emocionais não foram atendidas, ou seja, indivíduos que não se sentiram apoiados e valorizados que se relacionaram em ambientes conturbados verão sua realidade como fria, vazia e solitária, podendo vir a apresentar dificuldades como: dependência afetiva, imaturidade, auto-estima prejudicada, insegurança, enfim, vários são os problemas que podem ocorrer em famílias disfuncionais.

Joselaine Garcia
Psicóloga – CRP 07/18433
Especialista em Docência Universitária

Você é a responsável pelos seus sofrimentos!
Procure um psicólogo(a) de sua confiança, faça uma consulta e decida pelas suas mudanças emocionais. Quando aprendemos a simplificar as coisas e ver seu verdadeiro valor, a vida se torna mais prazerosa, mais gostosa de ser vivida

sábado, 14 de janeiro de 2012

LEI DA PALMADA ...





Entrevista concedida pela Psicóloga Joselaine Garcia, CRP 07/18433, à Repórter Daniela Lisboa, do Jornal O Jacuí, da cidade do Salto do Jacuí.








O que você pensa sobre a Lei da Palmada, que proíbe agressões em crianças e adolescentes?
No meu ponto de vista a lei da palmada tem aspecto positivo e negativo:

O aspecto positivo é que chama atenção para o fato de que a educação tem que ser diálogo, não violência. Os pais necessitam ter o exercício do diálogo e compreender que a violência não pode fazer parte da educação.
A discussão provocada por essa medida é interessante para que a sociedade avalie a violência cometida contra a criança dentro de muitos lares de forma “educativa”.

O aspecto negativo é que intervém na intimidade da família, fazendo com que os pais hoje fiquem na dúvida de como agir como pais e pequem na permissividade. Portanto, ainda que o intento da lei possa ser boa, entendo que existam maneiras muito mais pedagógicas e inteligentes de fazer os pais educarem corretamente os filhos.

Você acredita que umas “palmadinhas” possam ou não ajudar na educação?
Raramente os pais se atêm a apenas uma palmada. Comumente quem dá a palmada, não dá apenas uma, mas sim duas, três, quatro. Uma “palmadinha” não é o problema, a palmada passa a ser um problema quando se torna a principal forma de comunicação dos pais com os filhos.
A palmada não é a melhor forma de educar. A criança aprende pelo exemplo, e quando a gente bate, a lição que a criança aprende é que a forma de resolução dos conflitos é agredindo fisicamente.
Impor limites não necessariamente tem como único caminho a palmada.

Você acha que esse tipo de Lei pode tirar a autoridade dos pais com relação aos filhos?
Eu acredito que sim, penso que a medida possa suscitar uma sensação de impunidade nas crianças e nos adolescentes, hoje infelizmente só há cobrança e divulgação dos direitos das crianças e adolescentes, mas não há cobranças e divulgação dos deveres, destarte acredito que com essa lei pais e mães perdem seus lugares no exercício da autoridade parental.
Penso que antes de se criar leis é necessário educação e orientação, é muito importante educar os pais para eles assumirem a responsabilidade da educação dos filhos com autoridade legitima, não com autoritarismo.
O “ideal” é não precisar bater, e que a ordem, a autoridade dos pais seja compreendida pela criança pela voz, pelo olhar, não pela força, com uns ajustes as coisas podem seguir outro rumo. Hoje os pais estão perdidos na forma de educar, por isso mais do que criar leis, acredito no poder Estado de ensinar. Campanhas que auxiliem a sociedade a pensar em outra formas de educar e por limites, em como os pais podem exercer a autoridade sem autoritarismo ou violência são muito mais eficazes do à criação de leis.

É possível educar um filho sem palmadas ou algum tipo de agressão? Como?
Claro que sim, é certo que a educação é um processo longo e exigente, para o qual não há receitas prontas, mas os pais devem educar, ou construir o seu modo de educar pautado em valores e princípios éticos. 
A força física apenas gera medo e o medo faz obedecer, mas não transmite princípios, nem impõe respeito.
Educar é também dar exemplos e assim direcionar os filhos para um bom desenvolvimento emocional e para isso é imprescindível, os pais terem consciência do seu próprio funcionamento, ou seja, o que faz, para que faz e não só o porquê faz.
Portanto direcione seu filho dando exemplos, ensine sendo e aprenda fazendo, não adianta o adulto almejar educar a criança se ele mesmo não lida bem com suas limitações. De nada vale expor as regras para seus filhos, esclarecer as causas e as consequências, se você mesmo, como adulto, diz uma coisa e faz outra. A criança percebe de imediato a dicotomia entre a palavra e a atitude.
Ter paciência, colocar limites e regras e conversar com seu filho, com certeza trarão mais bem estar e confiança entre pais e filhos. Quem educa com amor, ensina o amor.

O que geralmente acontece quando os pais decidem pelas palmadas, é a perca da paciência?
Quando os pais usam da agressão física para educar ou da psicológica para educar é porque algo já não vai bem, a autoridade dos pais não está compreendida na mente da criança ou adolescente. E isto necessita ser refletido pelo adulto no sentido de procurar entender o que esta errado, onde estão ficando lacunas para esta deficiência da autoridade, o que o filho esta buscando com tal pratica. Estas ponderações auxiliam extremamente no transcurso do desenvolvimento da relação pais e filhos.

As ‘palmadinhas’ podem causar algum trauma na criança? Por quê?
Uma leve palmadinha não, mas uma, duas, três... e quando essas palmadas se tornam a única forma de intervenção sim, pois a criança vai apreender que os conflitos são resolvidos com agressões físicas.
Muitas vezes o ato repetitivo da agressão pode levar a criança ou adolescente a sentir raiva do adulto e aprender que a força é um meio cabível de alcançar o que quer. A agressão física pode diminuir a autoestima, aflorar sua agressividade, seu medo e insegurança.

Qual é a melhor maneira de repreender uma criança quando faz algo errado sem causar quaisquer transtornos a ela?
É imprescindível manter a calma, corrigir o comportamento com voz firme, autoridade e convicção de sua atitude.
Quando a criança se comporta mal, deve ser proibida de fazer algo que gosta, perder algum privilégio, use o castigos, mas estes tem que ser condizente e de acordo com idade da criança ou adolescente, nunca aplique castigos que não serão possíveis de serem cumpridos, tem que haver ponderação. É imprescindível não voltar atrás no castigo ou ordem dada, as crianças devem compreender que todos os seus atos tem uma consequência.

A criança/adolescente pode se tornar uma pessoa violenta por isso?
Sim, mas quando a palmada se torna a principal forma de comunicação dos pais com os filhos. Educamos pelo exemplo, normalmente os comportamentos dos pais são notados e repetidos por suas crianças.

Como você acredita que deva ser uma relação familiar, qual o papel do pai e da mãe?
Para ter uma relação de qualidade com os filhos é imprescindível que os pais ouçam os seus filhos, que os compreendam, que entrem no seu mundo e que partilhem, façam com eles. Que pais e filhos se permitam a uma relação próxima, de intimidade, onde haja empatia, confiança e segurança. Demonstre orgulho, elogie quando as coisas vão bem, pergunte ao seu filho como foi o seu dia, as crianças vão sentir que tem valor, se são estimulados a contar o que aconteceu durante o dia, perguntar como foi seu dia e parar para escutar a resposta não demanda muito tempo.
Comunique-se com seu filho, uma boa comunicação entre pais e filhos exige em primeiro lugar, traduzir o amor, respeito, confiança, atenção e atender as suas necessidades básicas.
Comunicar-se com os filhos é dar apoio, conhecer as suas dificuldades, verificar pelo que eles estão passando, estimulando suas potencialidades, dando liberdades e incentivo, e respeitando os sentimentos da criança.
O mais adequado é dar atenção à criança antes que ela comece a se comportar mal, procure estar com a criança, durante um tempo saudável, de qualidade, isso faz com que ela se sinta amada, querida e certamente diminui a frequência dos comportamentos inadequados da criança.

sábado, 7 de janeiro de 2012

OLHE PARA O RELÓGIO: HORA DE ACORDAR.

Olá, hoje quero falar sobre felicidade e para isso trago para vocês um texto que fala sobre a felicidade real versus felicidade imaginária. É um belo texto da Marta Medeiros, esse texto circulou na revista Época em 2003.

Boa leitura, o texto é maravilhoso,
Reflita sobre ele!!!!

"FELICIDADE REALISTA"

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.


Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.


Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.


Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade. (Marta Medeiros)


Bora menina (o), olhe o relógio: hora de acordar!!!!! Tome cuidado para não se tornar uma pessoa eternamente insatisfeitas!
Precisamos pensar numa felicidade real e não numa abalizada em filmes de Hollywood, contos de fadas e novelas.
Dizem que a vida é curta, mas não é, A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades. (Dalai Lama)
‎"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz." (Freud)

Então, vamos em busca da felicidade, só não podemos esquecer que: "A vida é composta de prazeres pequenos. A felicidade é composta desses pequenos sucessos. O grande vêm muito raramente. E se você não colecionar todos estes pequenos sucessos, o grande realmente não significará qualquer coisa." (Norman Lear)


Joselaine Garcia
Psicóloga
Esp.em Docência Universitária
CRP 07/18433