quarta-feira, 24 de agosto de 2011

FAMÍLIA: MATRIZ DA IDENTIDADE DO INDIVÍDUO


A família sempre foi vista e compreendida como a matriz da identidade do indivíduo.

É no seio da família que a pessoa vai definir seus padrões básicos de funcionamento.

Padrão básico de funcionamento significa a sua forma específica e repetitiva de ser e de reagir em todas as situações; os mecanismos que usará para viver e sobreviver; suas escolhas ao compreender e se relacionar com as pessoas e situações.

Este padrão se constrói no entrelaçamento das relações familiares, através do que é dito e do que não é dito, das normas explícitas e das regras que são passadas de forma sutil, nos olhares, nos toques, nas palavras e atos.

Paralelo ao padrão de funcionamento que vai construindo o indivíduo vai estruturando a sua auto imagem : quem ele é, qual seu valor, qual sua potência, quais seus limites. 

Assim ela chega na adolescência e depois na vida adulta com os ônus e os bônus de ter sido criada naquele sistema familiar específico, com aquele padrão específico.

Nesse momento de vida, a pessoa tem basicamente dois caminhos a seguir: usa as dificuldades, os traumas, os sofrimentos vividos e sofridos na infância como uma boa desculpa para suas dificuldades atuais, e um bom álibi para explicar seus defeitos, suas impossibilidades; ou usa as dificuldades vividas como um mapa, um sinalizador do que é que precisa aprender, precisa mudar, em que departamentos da sua vida precisa prestar mais cuidados e atenção.

A qualidade afetivo/emocional de uma pessoa adulta depende do quanto ela se responsabiliza pela sua história futura: ou seja, o quanto ela se dedicará a limpar, perdoar, compreender a carga que recebeu, e o quanto ela se encarregará em aprimorar-se e tornar-se um adulto enriquecido pelas experiências da infância, sejam as positivas, sejam as negativas.

Uma mesma ocorrência traumática poderá amargurar toda a vida de uma pessoa, ou poderá servir de estímulo para reconstruir-se e construir novas e saudáveis relações.

Lacan argumenta que a família deve ser entendida enquanto um complexo, sendo este algo que “reproduz certa realidade do ambiente” ela exerce um papel de organizadores no desenvolvimento psíquico tendo o sujeito consciência do que ele representa. 




Joselaine Garcia
Psicóloga CRP 07/18433