sexta-feira, 27 de maio de 2011

QUANDO OS FILHOS SAEM DE CASA...

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Síndrome do Ninho Vazio


Outro dia conversava com uma querida amiga, trocamos experiências sobre a saída dos filhos de casa, saída esta doida, muito doida, ela falava da dor que sentiu e falei da minha também (psicóloga também sofre com a saída dos filhos de casa...rsrsrs), falamos da dor sentida e superada, falávamos do quanto é difícil os primeiros dias após a saída.

Minha amiga, o tempo passou, os filhos cresceram, um tempo que se foi, e quando era presente, talvez, em momentos de desatenção, até, que fora bem aproveitado, mas só agora é possível se dar conta do quanto esta fase maravilhosa também fora desperdiçada por nossas pequenas neuroses humanas, tais como, mania de arrumação, ordem, exigências e cobranças que em muitos momentos engoliram grandes fatias desta bela etapa da vida

Concordamos que este é um motivo de alegria para os pais que podem constatar que educaram bem seus filhos, cultivando neles a capacidade de olharem por si mesmos, e, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que os pais se orgulham de seus filhos que desenvolveram suas asas e aprenderam a voar rumo a seus destinos, são tomados por um sentimento de tristeza e de vazio interior, uma dor humana que lhes sussurra aos ouvidos: “Eles se foram, e agora? Porque dói tanto ver nossos filhos trilhando novos caminhos? Em algumas pessoas a dor é tanta que são tomados por uma imensa tristeza, e acabam entrando num estado de melancolia e depressão.

Às vezes, o que deveria ser motivo de alegria pode se transformar em pesadelo para alguns pais. É a chamada síndrome do ninho vazio, causada quando a pessoa, em geral a mãe, vê seus filhos ganhando autonomia e saindo de casa. Por não conseguir lidar com isso, o sentimento de saudade acaba ganhando proporções prejudiciais à vida de quem fica.

A síndrome do ninho vazio é considerada, pelos profissionais da área, como uma crise existencial passageira. Dependendo de alguns fatores, como o número de filhos e a personalidade da mulher, tudo pode ser apenas questão de se acostumar à nova rotina. "No entanto, pode haver exacerbação nos sintomas de tristeza e, nesses casos, é aconselhável tratamento psicológico",

E este drama interno acontece, não porque nossos filhos não dependem mais de nós, mas, porque nós é que dependente deles, nós dependemos daquela dependência que eles tinham por nós.

Muitas mulheres transformam seus filhos na principal razão de sua vida e quando se deparam com a saída do filho de casa, se deparam com seu próprio vazio.

Possivelmente a mãe que recusa aceitar que o filho cresceu e não precisa dela daquela maneira dependente ficou presa num único papel – o de mãe, e não conseguiu transitar entre os diferentes papéis que cabem a uma mulher: mãe, esposa, amiga, profissional, intelectual, esportista, mulher, envolvida em hobbies em artes, etc. sofrerá demais, e por conseguinte seu filho também.

Em contrapartida, mães que transitam em seus diferentes papéis sem se fixar num só, podem até sentir saudades da infância de seus filhos, mas não sofrerão tanto quando estes saírem rumo a sua individuação.

Para que as mães não sofram com a saída dos filhos da casa, é importante que haja a preparação para a chegada da nova realidade. É importante que a mulher separe a vida dela da vida dos filhos, o máximo possível. Faz parte disso ampliar a rede social, passear, ter atividade remuneradas ou não, mas que sejam feitas fora de casa e que ajudam a mulher a ter outro papel que não seja o da mãe clássica.

Se você está passando por essa crise ou poderá passar em breve, a recomendação é para que se relacione com diferentes pessoas, procure o apoio de quem já passou pela mesma situação ou matricule-se em cursos ou academias. Com isso, a mulher pode reorganizar seus projetos de vida, tirando de foco a ausência do filho. 

Se você se encontra nessa situação e a dor da falta está insuportável, a tristeza é imensa, não hesite em buscar ajuda profissional!

Joselaine de Fátima G. Garcia
Psicóloga, CRP07/18433
Especializando em Docência Universitária
Consultório Psicológico em Cruz Alta/RS
Rua Barão do Rio Branco 1701, sala 101
Fone (55) 9167-7928

8 comentários:

  1. e quando os filhos sentem por estarem longe de suas mães..

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  2. Querido leitor (a)
    A saída de um filho da casa dos genitores implica, tanto para os filhos como para os pais, a "capacidade para estar só"
    O lar é um ninho quente e acolhedor. Seja pai, seja filho, quem nunca suspirou de saudade pelo carinho, pelo bolo predileto, pela cama limpa e arrumada? Todos, sem dúvida. Mas faz parte do processo de amadurecimento enfrentar o mundo e construir a própria história...(resposta completa a seu questionamento lei no post respondendo ao leitor...
    http://joselainegarcia.blogspot.com/

    Obrigada por sua participação

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  3. De um Pai triste.
    Me separei e fiquei com meus filhos. Casei novamente, na época eles tinham 1 ano e meio e 6 anos respectivamente.
    Minha atual esposa os criou mas, tivemos muitos problemas entre eles e ela. Na medida em que cresciam mais conflitos aconteciam, pirraças, palavras venenosas, bate boca etc. Nas confusões eu ficava no meio, tentando acalmar as situações, mas quando defendia um lado parecia prejudicar o outro. Tentava fazer um entender a visão do outro mas não dava certo.
    O lazer em família foi sendo afastado, jogos, cinema, até assistir tv juntos, tudo foi acabando.
    Hoje foram embora premeditadamente, 19 e 25 anos, e a amizade entre eles e minha esposa acabou, dando lugar a raiva.
    Eles também não sentem muita falta de mim. Talvez por não defende-los sempre.
    Penso que o problema maior seja ela não ser a Mãe deles.
    Eu sofro muito, todos os dias choro muito por isso. Não temos nenhuma reunião em familia.
    Eles não vem na minha casa. Já pensei em jogar minha relação pra cima, mas gosto de minha esposa e com ela tenho uma criança(quarta série primário), que também amo e não quero me separar. Isso tudo doi demais e não vejo solução. Vivo com um sentimento de culpa e também em parte culpo os rompantes as vezes desnecessários(ao meu ver), da minha esposa. Admito que essa situação afetou bastante a nossa relação. Ninho vazio no tempo certo já é doloroso, pior nas condições que ocorreram comigo.Estou chegando nos 50 anos e estou perdendo a esperança em ser feliz.

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  4. Querido leitor!

    Imagino seu sofrimento.

    Não sei sua história de vida (sua e de seus filhos), mas sempre é tempo para ser feliz e recuperar relações perdidas.

    Um relacionamento já não é fácil no normal, quando este acontece havendo filhos de outro casamento, as coisas ficam mais difíceis ainda, pois vários são os atravessamentos. Mas embora haja conflitos de naturezas diferentes, as saídas para a resolução dos problemas na nova família passam pelas mesmas da família tradicional: tolerância para lidar com as diferenças, bom humor para enfrentar as dificuldades e controle das próprias fantasias e inseguranças.

    Talvez uma terapia familiar tivesse resolvido seu problema. No entanto hoje não cabe buscar culpados, se é que tem, pois cada um tem seus motivos para determinadas atuações, portanto não cabe julgar um ou outro, nem mesmo ficar se culpando, mas sim buscar forças para continuar lutando e recuperar o amor e admiração de seus filhos.

    Hoje paizinho, aos 50 anos, tem muito ainda que viver com seus filhos e sua esposa, tem muito tempo para ser feliz, o importante é não desistir nunca da felicidade, e o diálogo é a receita básica!

    Caso sinta necessário não hesite em buscar ajuda de um profissional da psicologia, pois poderá lhe ajudar muito. Procurar um psicólogo não é um sinal de fraqueza, desequilíbrio ou incompetência para lidar com seus próprios problemas ou dificuldades, mas sim, sinal de grandeza interior para reconhecer que somos humanos e sujeitos as limitações e situações que a vida nos impõe, e que necessariamente não temos a obrigação de saber resolver.

    O importante é procurar um profissional com sensibilidade para entender sua dor e que lhe faça sentir acolhido.

    Paizinho Invista em você!!! Sempre há tempo para ser feliz, Você só tem a ganhar...

    Obrigada por sua participação!

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  5. Olá, espero contar com a opinião de alguém pois já estou desesperada sem saber o que fazer.

    Vou com o meu namorado para outra cidade estudar, isto já estava definido deste que fui para o ensino secundário. Mas ultimamente sempre o meu namorado está em casa, a minha mãe está de mau humor. Se não faço TUDO EXACTAMENTE como a minha mãe quer, fica amuada, chora, faz birra... e pior, vira o meu pai e se possível, toda a família contra mim.

    A minha mãe sempre foi uma pessoa muito exigente, mas agora está a tornar a minha vida num caus.

    Eu tento fazer de tudo para desculpar estas atitudes que a minha mãe comete, mas como são cada vez mais frequentes acabo por ficar triste e revoltada.

    Sempre que há um problema, algo que não corre como o esperado cá em casa a culpa é independentemente de tudo, minha ou do meu namorado. E o pior de tudo é que se eu reajo a qualquer uma das frases dolorosas e agressivas que a minha mãe me diz, ela vira o meu pai contra mim e fá-lo por-me de castigo, fazendo passar-se por "boazinha" e o meu pai pelo "mau". O que é mau, pois sei muito bem que ela inverteu a situação e fez com que ele acreditasse que tive a atitude errada.


    Só como exemplo: No passado dia eu queria ir à praia e já tinha perguntado à minha mãe se ela ia no dia anterior. Estava eu e o meu namorado a conversar com o meu irmão e a minha mãe diz: Filho, vens à praia com a mãe? (note-se que ignorou a minha presença) ao qual o meu irmão responde: Não tenho vontade! Eu, para acalmar os ânimos disse: Vamos os 3, mãe! A minha mãe ignorou-me e saiu dizendo em voz alta que ia passear sozinha...

    E ao longo deste maravilhoso dia, disse-me coisas que me magoaram tanto e me deixaram a chorar e que não vou contar porque é muito doloroso para mim. Hoje, estou triste e com a família contra mim, porque simplesmente fiquei, frente à minha mãe, fria e sem vontade para muitas conversas... como é natural, mas ela pensa que tem razão...


    Um obrigada por quem teve a paciência de ler e responder.

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  6. Querida leitora!!!
    Os dados fornecidos são poucos para melhor entendimento da situação, é preciso mais conhecimento da dinâmica familiar, história de vidas, idades, enfim...mas digo-lhe que desde o nascimento da filha até o envelhecimento da mãe, a dupla, mãe e filha, passam por uma grande trajetória permeada de sentimentos e emoções complexos, ambíguos, positivos e negativos, tais como; Amor, carinho, felicidade, continuidade, ódio, ciúmes, competição, disputas, rivalidade, inveja, expectativas, frustrações, temores, gratificações, alegrias, ressentimentos, surpresas…
    Muitos podem ser os motivos de tal reação como: medo de perde-la, ciúmes, culpa, amor em excesso, mãe dominadora, etc.
    Caso a situação esteja insuportável, busque a ajuda de um profissional, psicólogo, pois assim este com mais riqueza de detalhes poderá lhe ajudar!
    Obrigada por sua participação, volte sempre!!

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  7. Gente, tenho passado por uma situação terrível! tenho 7 meses de casada, e quando cheguei da minha lua-de-mel estavam meus sogros, minha cunhada e a vó do meu marido na minha casa! ficaram 2 meses lá. Eles moram em outro estado, mas de 2 em 2 meses estão na minha casa e ficam mais de mês. Até hoje não aproveitei meu casamento..pq sempre tem gente em casa. E se metem muito na nossa vida de casados! Eu não sei o q fazer, pois pro meu marido são os pais neh.. e ele ficaria muito chateado se eu falasse alguma coisa pra eles. Se eu falar, vou causar discórdia. Tá complicado! Não tenho mais privacidade com meu marido qdo eles estão aqui. Se isto for síndrome do ninho vazio, espero que passe o mais rápido possível! Ou seria muita folga mesmo? será q eles não desconfiam?????

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  8. Olá doutora, sei que este tópico já tem mais de um ano, de qualquer forma gostaria de escrever. Cai aqui procurando sobre o assunto, pois só hoje estou passando por isso, mas eu sou o outro lado, sou o filho que está saindo de casa.
    Minha mãe está chorando, e fico tão chateado com isso que as vezes até penso em desistir do apartamento que aluguei. Estou saindo por duas razões, independencia e também localidade. Minha casa é muito longe, o que torna dificil muitas vezes voltar para a casa mais tarde, e fazer cursos mais longe. Sou o caçula e o ultimo dos irmãos que ainda está em casa, então creio que isso torne as coisas mais dificeis ainda.
    Queria algum conselho seu.
    Obrigado
    Lucas

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