domingo, 22 de maio de 2011

BULLYING NO MUNDO ADULTO

Este material preparei para uma entrevista ao Jornal Diário Serrano, Cruz Alta - RS....


Bullying: Palavra de origem inglesa, sem tradução em nosso idioma, é adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar outra pessoa e colocá-la sob tensão.

A maior incidência de bullying está entre os estudantes no ambiente escolar.  No entanto, tal prática possui ainda a propriedade de ser reconhecido em vários outros contextos onde existem relações interpessoais como: nas famílias, nos locais de trabalho (denominado de assédio moral), nos asilos de idosos, nas prisões, nos condomínios residenciais.

Segundo a autora do programa antibullying Educar para a Paz, Dra. Cléo Fante, no Brasil, por convenção, denomina-se bullying os atos agressivos, intencionais e repetitivos entre estudantes, já no mundo dos adultos, costuma-se empregar o termo assédio moral ou mobbing. Essa diferenciação é feita para melhor compreender o fenômeno e diferenciá-lo das demais formas de violência que ocorrem na escola ou fora dela.

As denominações se distinguem de acordo com a cultura e o contexto de cada local, daí encontrarmos a expressão mobbing sendo mais usada na Suécia e na Inglaterra, bullying e harssment no EUA, psicoterror ou acoso moral na Espanha, harcèlement moral na França, Ijime no Japão e, assédio moral no Brasil, tais denominações se referem a todo o tipo de comportamento agressivo, cruel, proposital e sistemático inerente às relações interpessoais.

Mas, não importa o contexto pode ser escolar, acadêmico, corporativo, familiar, enfim, trata-se de pessoas com muita dificuldade de serem empáticas, de se colocar no lugar do outro, e através deste movimento, avaliar impactos e sofrimentos que sua ação irá provocar. Quando são capazes de fazê-lo, o que se percebe é que muitas vezes são frutos de famílias desestruturadas ou com uma visão distorcida de alguns valores que podem torná-los muito tolerantes em relação a limites não respeitados.

Reconhecendo o problema:

É preciso observar as alterações no comportamento social, emocional e afetivo, mudanças como: queda do rendimento, absenteísmo, sintomas psicossomáticos recorrentes, dores generalizadas, palpitação, tremores, sentimento de inutilidade, Crises de choro, Insônia ou sonolência excessiva, depressão, aumento da pressão arterial, dor de cabeça, distúrbios digestivos, tonturas, idéia de suicídio, falta de apetite, falta de ar, passa a beber, tentativa de suicídio.
Claro que a presença desses fatores não determinam que o individuo esteja sofrendo bullying, mas devem ser ponderados como indicativos para uma maior atenção/observação.

As marcas que ficam nas vítimas de bullying vai depender da gravidade da exposição aos maus tratos. Pode ocorrer que, no futuro, esses indivíduos sejam revitimizados ou reproduzam a vitimização em outros locais, como no trabalho ou na constituição familiar.
As marcas mais comuns são: Depressão, baixa auto-estima, muita dificuldade em relacionamentos sociais e muitas vezes transtornos de ansiedade se instalam, sentimento negativo relativo a si próprio, comportamentos agressivos e em casos extremos, suicídio e homicídio.

As conseqüências para os bullies (praticantes de bullying) O comportamento intimidador do autor poderá se solidificar com o tempo, comprometendo as relações afetivas e sociais. Muitos tendem à depressão, às idéias suicidas, ao envolvimento em atos delinqüentes, ao uso de drogas e à criminalidade. Muitos, quando adultos, cometem violência doméstica e assédio moral no trabalho.

Como evitar


A premissa básica é observar se isto acontece e em que ocasiões.
Tratar o assunto abertamente e nunca incentivar o grupo.
Outra maneira é tratar o assunto através de palestras, workshops
E falando diretamente das organizações, uma forma de evitar este tipo de situação é realizar treinamentos constantes de gerentes e funcionários. Brincadeiras de mal gosto não devem acontecer. O respeito entre os colegas deve sempre existir. Isso ocorre quando a empresa preza pela aprendizagem coletiva e o diálogo.

 
Joselaine Garcia
Psicóloga
CRP 07/18433