terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O COMPLEXO TRABALHO DE ANALISAR O RELACIONAMENTO - TERAPIA DE CASAL

EM BRIGA DE MARIDO E MULHER NÃO SE METE A COLHER, EXCETO QUANDO ME PEDEM.  

A terapia de casal, normalmente, é utilizada, pelos casais, como ultimo recurso para recuperar a relação. Eles já mudaram de casa, fizeram viagens, resolveram ter um filho, enfim, tentaram vários recursos, mexeram basicamente nos fatores externos da relação e, não raras as vezes, o problema prosseguiu. 

Diferente do que se pensa o fato de ser a última opção, não faz da terapia de casal o caminho para o término do relacionamento. Muito pelo contrário, como diz Anna Burg “Quando o casal busca uma terapia a dois é porque o relacionamento está muito vivo.”

Em geral, somos permeados por uma fantasia de que somos uma metade que deseja encontrar sua outra metade para ser completa e feliz. Na terapia de casal fica evidente essa sensação quando o casal retoma, em terapia, o momento em que suas histórias psíquicas se encontraram, ou seja, a ocasião em que se apaixonaram. Recordam, durante esse processo mágico, que parecia não haver diferenças entre eles e que o amor dava sentido ao incompreensível.

Ao entrarem em contato, em terapia, com seus sentimentos, compreendem que as palavras não são capazes de dar conta de toda sua gama. Na terapia é possível perceber que idealizamos muito em relação ao outro e que, muitas vezes, cada uma das partes enamoradas está mais preocupada em descobrir como o outro pode atender os seus desejos e necessidades.  

Normalmente, o conflito se estabelece no casal quando essa fantasia de completude cai por terra. Os elementos que detonam esse processo são múltiplos. Dentre eles podemos citar os ligados à sexualidade, como a impotência, a frigidez, ou a ejaculação precoce. Outras vezes, desemprego, o nascimento de um filho, mudança de cidade.

A terapia de casal responde a distintas razões e tempos. Faz parte de sua dinâmica seguir as mudanças no contexto social. Hoje em dia, quando somos procurados por casais, no consultório, não fazemos referência a casamentos em igreja ou cartório. Também não falamos apenas em relacionamentos heterossexuais. 

Atenção, apesar da terapia de casal estar dentro dos processos de terapia breve, em alguns casos, frustra o paciente que deseja uma solução imediata, mas é necessário deixar claro que não existe formula mágica, pois ao longo da vida, cada um constrói sua própria história psíquica e, no consultório, o terapeuta trabalha com duas delas, mas sabendo que dessa união se formou uma terceira entidade psíquica, que é a dinâmica do casal. Destarte é necessário analisar as idiossincrasias pessoais de cada um e ao mesmo tempo compreender como essas interferem na dinâmica do casal.

A terapia se completa quando o casal percebe que há um acordo inconsciente entre eles; assim, deixam de culpar um ao outro pelo sofrimento na relação. Assim sendo, é possível pensarmos em conclusão desse procedimento quando há um olhar mais real para o companheiro(a). Quando um se coloca no lugar do outro, a relação se torna mais fecunda e cada um deles pode se reinventar. Enfim, a terapia de casal termina no momento em que cada parte da "laranja" resolve seguir sua vida, junto ou separado do outro e consciente que a única pessoa realmente insubstituível é ela mesma.

Olhar para o outro sem fantasias e sem atribuir a culpa ao outro é o primeiro passo!


Joselaine Garcia
PSICÓLOGA e HIPNÓLOGA - CRP 07/18433
PSICOTERAPEUTA e HIPNOTERAPEUTA
Pós Graduada em Docência Universitária
Hipnóloga credenciada ao Instituto Brasileiro de Hipnologia
Membro da Sociedade Ibero-Americana de Hipnose Condicionativa
Membro do Latin American Quality Institute
Psicóloga laureada com diversos prêmios a nível: Internacional,  Nacional e Estadual  
Colabora regularmente com a imprensa escrita, rádio e televisão.
   Blog: joselainegarcia.blogspot.com