sábado, 23 de agosto de 2014

COMPULSÃO: ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

Psicóloga Joselaine Garcia
Entrevista concedida para a revista Vitalite,
Setembro de 2013"



Transtorno compulsivo é sinal de que algo não anda bem








O que é compulsão?
Transtorno do Comportamento compulsivo ou aditivo são hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de angustia e/ou ansiedade, ou seja, são condutas visivelmente excessivas ao qual o sujeito não consegue, na maioria das vezes, resistir.
O compulsivo não tem domínio sobre o que lhe passa na mente, não controla os pensamentos, os impulsos. Os desejos aparecem impulsivamente. A pessoa atua para suprir estas necessidades.

Há diversos tipos de comportamentos compulsivos como: Comprar compulsivo (Oniomania), Atividade Física Compulsiva (Vigorexia), Trabalhar Compulsivo (Workaholic), Comer Compulsivo (Binge-Eating), O jogo compulsivo, comportamento Sexual Compulsivo, etc.

Comer, comprar ou fazer algo compulsivamente é algo grave? Compulsão é uma doença?
Em muitos casos pode ser considerada doença sim. Cada caso é um caso e, por isso, difícil de explicar em poucas linhas, mas de maneira geral a compulsão manifesta-se em maior ou menor gravidade, em cada tipo de compulsão temos conseqüências especificas e estas podem levar a sério comprometimento da qualidade de vida e da saúde do sujeito, causando Complicações Clínicas, Sociais, familiares e pessoais.

Quando ela é considerada doença?
Para discorrer sobre este assunto, dentro das compulsões, teríamos que separar os transtornos compulsivos e elencar cada um separadamente, porém isso não é possível em poucas linhas, então falando aqui de forma generalizada, pode-se dizer que, normalmente os Comportamentos Compulsivos, para serem consideradas doenças, precisam causar algum tipo de interferência no desempenho das atividades cotidianas ou provocar prejuízos significativos à vida da pessoa e/ou ao seu entorno sócio-familiar bem como gerar sofrimento ao sujeito.
Aqui discorrendo, especificamente, na compulsão alimentar pode-se dizer que, Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR), a compulsão alimentar pode ser compreendida como transtorno quando ocorrem episódios freqüentes (pelo menos duas vezes por semana) e quando esse comportamento se prolonga por um período específico (6 meses) e contando com alguns critérios abaixo: 
1.  comer muito e mais rapidamente do que o normal;
2.  comer até sentir-se incomodamente repleto;
3.  comer grandes quantidades de alimentos, quando não está fisicamente faminto;
4.  comer sozinho por embaraço devido à quantidade de alimentos que consome;
5.  sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente.
Neste transtorno, em específico, existe um risco significativo de evolução para obesidade e nestes casos temos todas as conseqüências físicas, patológicas apresentadas pelos obesos.

Ela pode estar aliada a outras patologias como a depressão?
Sim, por traz deste comportamento compulsivo existe uma dificuldade emocional disfarçada.
Podemos dizer que apesar de sua origem ser multifatorial (sociocultural, familiar, genética e psicológica), a compulsão está muito mais relacionado com o funcionamento psíquico da pessoa, as emoções movimentam o ato compulsivo e vice-versa. O sintoma acaba provocando um ciclo vicioso (impulso – culpa – impulso), por exemplo: comprar – tristeza – comprar (a tristeza se dá, muitas vezes, por culpa, pois o sujeito não conseguiu resistir ao ato).
Como diz a Psiquiatra Ana Beatriz Silva “Trata-se de um sofisticado quebra-cabeça que determina a forma como cada cérebro vai funcionar e gerar suas interpretações singulares”.

Existe tratamento?
Sim, existe tratamento, porém, primeiramente a pessoa tem que reconhecer que existe o problema, é a primeira condição para buscar atendimento e ajuda adequada.
É necessário que haja um acompanhamento contínuo, ter a assistência de um psicólogo e/ou de um psiquiatra. Dependendo da gravidade e dos outros aspectos concomitantes, pode ser necessário o uso de medicamentos.
É de extrema importância que no trabalho terapêutico, o sujeito tome conhecimento do porque se desencadeia sua compulsão, os sentimentos presentes.
A terapia envolve tanto a compreensão racional de seus atos, a busca de soluções práticas como o entendimento das emoções básicas não atendidas que resultaram em compulsão. Muitas vezes há intensos eventos na história de vida deste compulsivo que contribuíram na instalação do sintoma, não rara vezes os acontecimentos não são tão claros assim. Informações disfuncionais absorvidas ao longo da vida de maneira muito sutil, imperceptível, podem ter fortes influências.

 Quando uma pessoa deve procurar ajuda?
Deve-se procurar ajuda quando a compulsão causar algum tipo de interferência no desempenho das atividades cotidianas ou provocar prejuízos significativos à vida da pessoa e/ou ao seu entorno sócio-familiar bem como quando estiver gerando sofrimento ao sujeito.

Para Finalizar, é imprescindível salientar que alguns teóricos apontam que existe uma grande semelhança entre comportamentos compulsivos e dependência química. A angústia gerada pelo impedimento do ato, os sintomas emocionais da abstinência, tais como, sudorese, tremores, taquicardia, a maneira compulsiva e repetitiva das atitudes, a importância que essas atuações ocupam na vida da pessoa, o comprometimento na qualidade da vida afetiva, familiar, profissional e social. Tudo isso são eventos que aproximam muito os comportamentos compulsivos com a dependência química.
O prazer e a gratificação alcançados por meio dos comportamentos compulsivos deixam de levar em conta os prejuízos que os mesmos podem causar à própria pessoa.


JOSELAINE GARCIA
Psicóloga, Hipnóloga, 
Pós Graduada em Docência Universitária. 
Formada pela segunda turma de Psicologia da URI Campus Santiago. 
Hipnóloga credenciada ao Instituto Brasileiro de Hipnologia, 
Membro da Sociedade Ibero-Americana de Hipnose Condicionativa. 
Psicóloga Laureada com diversos prêmios em âmbito Internacional, nacional, estadual e municipal.
Consultório Psicológico em Cruz Alta – RS
Rua Barão do Rio Branco 1701, sala 101 – centro.





"Entrevista concedida para a revista Vitalite, de Cruz Alta, no ano de 2013"